Mais de 13 mil km percorridos, 5 meses e 11 dias fora de
casa...
Foi
o suficiente para cansar, estamos cansados, exaustos e com muita saudades de
casa e da família, já estamos nos tornando mais seletivos e não é qualquer
lugar que nos agrada, a comida é um problema, não aguento mais comer arroz e
batata frita, é muito difícil ser vegetariano em uma viagem longa como está,
sonho todos os dias com a comida do Brasil, e claro a da minha mãe... já
estamos programando cada detalhe de nossa volta, e Ricardo esta preparando uma
listinha do que quer que eu cozinhe para ele comer, eu já deixei minha mãe
avisada que quero tomar um café da manhã com muitas frutas “ricas” que têm em
Goiás e com pão de queijo fresquinho retirado do forno... para o almoço quero
capelete caseiro e macarrão caseiro e meu pai já tem encarregado de fazer um
belo bolo de milho para a tarde HUMMMMM!!! A tia Ina também já esta encarrega
de preparar um café da manhã de domingo para nós, porque como era de costume no
domingo iríamos filar uma bóia na sua casa, que estava repleta de delícias...
Viajar é muito bom, estamos
aprendendo muito, mas cansa, agora temos uma certeza, nossas estadias vão ser
mais curtas e nosso retorno ao Brasil mais rápido, queremos muito começar nossa
nova vida do “Santuário de Harmonização Planetária” e rever nossa família.
BOLÍVIA
A Bolívia é um país completamente
diferente do Chile, senti um impacto muito grande quando chegamos na cidade de
Uyuni... fica nítido para qualquer pessoa que visita a Bolívia, que este é o
país mais pobre da América Latina.
A sujeira é o
principal, nas ruas, estradas, cidades, terrenos, pontos turísticos, enfim, em
todo lugar ha lixo espalhado, e não é pouco não, é MUITO LIXO...
As cidades não são bonitas, nem estruturadas, me parecem
ter crescido aleatoriamente sem planejamento urbano, e a maioria das casas não
tem acabamento.
O povo Boliviano tem uma grande vantagem, a grande
maioria conserva sua cultura, nas ruas, as mulheres vestidas com suas
saias rodadas, cabelo longo com duas tranças e chapéu, dominam a paisagem,
sempre com um pano enrolado nas costas, para carregar seus filhos e levam também
bagagens...
O trânsito aqui é um caos, uma bagunça geral,
praticamente não há sinalização e impossível atravessar a rua, se você coloca
os pés na faixa de pedestre (as poucas que existem e apagadas), logo aparece um
carro buzinando para você sair... aliás, eles buzinam para tudo aqui, à todo
momento... Falam muito mal dos motoristas da Bolívia: Que bebem muito, são
muito imprudente, isso não é verdade, todos que encontrei são sérios e com
algumas exceções existe imprudência, no geral são bons, o problema mesmo é o
trânsito...
O comércio é outra história, não existe uma predominância
de grandes empresas, é muito raro encontrar um supermercado, e Mc Dolnalts aqui
faliu e não existe mais... esse lado é
muito legal, nas ruas encontramos um comércio livre, constituído por pequenos
grupos de famílias, onde cada barraca é responsável por vender alguma coisa, é
como um grande supermercado ao ar livre, separado por sessões: Frutas,
verduras, carnes (eca), grãos e cereais, pães, enlatados, roupas etc... A
desvantagem é que esse comércio suja demasiadamente as ruas das cidades e a
higiene, essa nem preciso comentar, ZERO!!! Para se ter uma noção, eu não vi
nenhum lugar vendendo carne refrigerada, estava toda exposta às moscas e ao
calor... ainda bem que não comemos cadáver!!!
Apesar dos contras, a Bolívia é um país muito bonito,
onde se pode observar uma cultura forte, existem muitas opções de passeios, dos
mais diversos tipos e para todos os gostos, onde é possível aproveitar bem e
gastar menos (já não é assim tão barato para nós Brasileiros que estamos com a
economia fraca e o real MUITO DESVALORIZADO).
UYUNI
Terminado o passeio, seguimos para a agência e descemos
nossa bagagem, deixei Ricardo com as malas e fui ver ônibus para Potosi e hotel.
Achei melhor passar a noite na cidade e descansar um pouco,
encontramos um hotel com banheiro privado por 100 bolivianos, mas muiiiito
básico o hotel.
Nos acomodamos e ligamos o chuveiro para o banho e
descobrimos que a água era fria, fui falar com o atendente e ele nos disse que
funciona das 17 às 20hs, bom, ele me ocultou alguns dados quando resolvi ficar
com o quarto, mas tudo bem, estamos no deserto e não vou me estressar novamente
e ser injusta!!!
Saímos para cambiar dólares e encontramos o melhor preço
de 6.9 bolivianos por dólar, isso faz com que a melhor opção para viajar é
comprar dólares no Brasil (mesmo caro) e cambiar dólares aqui, pois a cotação
do real estava 2.4 bolivianos.
Caminhamos pela
cidade que é bastante rústica, possui algumas esculturas bonitas e uma praça
cheia de turistas com mochilas, que aproveitam o tempo de espera do ônibus para
La Paz para descansar da travessia e “tomar um trago”.
Seguimos para comprar nossas passagens de ônibus para Potosi
e escolhemos a agência Quijaro, existem várias empresas vendendo passagens, não
existe um terminal e sim uma rua cheia de agências oferecendo o serviço, quase
todas com o mesmo preço.
Consegui comprar pão francês e muçarela aqui e seguimos para o hotel e como temos nosso
pequeno fogareiro, aproveitei para fazer um café e comemos pão com muçarela
derretida... que delícia!!!
No outro dia preparamos nossas coisas e tiramos uma foto
no monumento que fica no centro da cidade, dizendo Uyuni 11ª maravilha do mundo
seguimos para a rua em frente a agencia que sairia o ônibus, não existe terminal rodoviário em Uyuni
quando o ônibus
chegou eu quase tive um troço, o maleiro era em cima e muito ruim, fazer o que
estamos na Bolívia o Ricardo falou: até que está muito bom...
Seguimos nossa viagem e nos despedimos do Salar, pudemos
avistá-lo do caminho e avistamos também a quantidade de lixo, dois minutos
depois saímos no asfalto, uma pessoa jogou da janela do ônibus uma caixa de
suco e uma sacola de lixo, eu quase Enfartei... Ricardinho precisou me
consolar...
Nossa viagem
seguiu subindo uma grande montanha e quantidade de lixo foi diminuindo mas
sempre presente, a paisagem era muito bonita, muitas montanhas e algumas casas
construídas de pedra em alguns locais, subíamos muito e eu sentia falta de ar,
aproveitei e masquei coca...
Bom o ônibus não
tinha banheiro, isso eu já sabia, mas a atendente me disse que ele parava em
local que havia banheiro, e duas horas e meia de viagem eu estava estourando, pedi
para o Ricardo falar com o motorista e a resposta foi negativa, eu fiquei
nervosa e falei muito educadamente com ele o que a atendente me disse, ele
respondeu que então pararia mais a frente onde não houvesse pessoas, em 5
minutos o ônibus parou e a comissária gritou “banheiro”, sai e um casal de
franceses que estava ali também saíram “à tiro”.
Chegamos em Potosi às 14hs e paramos no terminal, a
cidade era horrível e muito suja, descemos nossas malas, deixei Ricardo na
rodoviária e fui procurar hotel, eu quase tive um treco quando vi o quarto do
primeiro hotel, um lixo ao quadrado... subi uma rua e senti falta de ar, afinal
estávamos a mais de 4 mil metros, achei um hotel melhor, mas a cidade era muito
feia, voltei para rodoviária e falei com Ricardo que iria ver passagem para
Sucre, ele concordou e pegamos um taxi por 40 bolivianos cada um, o ônibus era
17 e teríamos que ir para outro terminal, achei que o taxi seria mais seguro,
dividimos com mais duas bolivianas. Como estava errada, o taxista correu muito,
ultrapassava em curvas e quase tivemos um acidente no caminho, eu quase morri
do coração e Ricardo me disse que uma certa vez teve um sonho como esse, que
estávamos em um taxi fazendo manobras perigosas em uma estrada cheia de curvas
no meio das montanhas J, o caminho era
bastante bonito e lembrava muito Minas Gerais, era como o caminho para furnas,
só que sem represa.
Chegamos em Sucre
eram 17:30, pedi para o motorista nos deixar perto de local onde há hospedagem
e descemos, a cidade é muito linda, com construções incríveis, mas muito cheia
de pessoas, paramos em meio a “25 de março Boliviana” Ricardo ficou com as
malas e eu fui procurar um local para ficar, encontramos um bom hotel por 170
bolivianos, com banheiro privado, Tv a cabo, internet e café da manhã.
Sucre, possui uma população de 230.000 habitantes, é a
capital constitucional da Bolívia, sede da Suprema Corte de Justiça (Corte
Suprema de Justicia), e capital do departamento de Chuquisaca. Localizada na
parte sul-central do país. Sucre tornou-se Patrimônio da Humanidade, segundo a
UNESCO e atrai milhares de turistas todos os anos, principalmente Europeus, em
especial Franceses graças ao seu centro histórico bem conservado, com
construções dos séculos XVIII e XIX.
Conhecemos o “Castillo de La Glorieta” tomamos um ônibus que nos deixou em frente ao
Castelo, entramos e fizemos um tour de 2 horas, adoramos o passeio, parecia que
estávamos no século 19, adoramos...
À noite encontramos um restaurante super bonito que serve
hambúrguer vegetariano com batatas fritas em um ambiente super lindo... nos
esbaldamos, fazia muito tempo que não comíamos um hambúrguer!!!
No domingo acordamos cedo para o passeio de Tarabuco.
Chegamos no ponto combinado e entramos na fila do ônibus, subimos e estava
cheio de turistas europeus, quase todos franceses... é incrível a quantidade de
franceses que visitam a Bolívia... Seguimos
para o povoado de Tarabuco, nos disseram
que teria uma grande feira de artesanato hoje, que o povo que vive ali conserva
todos os costumes antigos e que vivem assim, estávamos ansiosos para conhecer
uma “aldeia de indígenas bolivianos”.
Foram quase 2 horas de viagem, descemos em Tarabuco e uma
moça entrou no ônibus para nos dar as orientações, falou tudo em inglês e
depois tivemos que esperar para receber as orientações em Espanhol, falaram que
os habitantes dali só poderiam falar em Quéchua e nos ensinaram algumas
palavras, deram um mapa e nos disseram que serviriam o almoço às 12:30 e às
13:30 seguiríamos para Sucre, seguimos o mapa até a praça principal super
ansiosos e animados, no caminho encontramos uma grande feira de variedades,
cheia de comidas, roupas comuns, carne, muita carne, animais mortos, cabeça
inteira de vaca ecá!!!
Fui ficando
decepcionada e quando chegamos na praça vimos que havia mais coisas de
artesanato típico, mas a cultura que esperávamos encontrar ali, onde estava???
O Capitalismo devorou a cultura!!! E eles falavam Quéchua??? Claro que não,
falavam muito bem o espanhol e sabem negociar muito bem sua mercadoria... uma
dica para quem quer comprar artesanato, compre em Tarabu, os preços são
melhores que o centro de La Paz, e os comerciantes negociam bastante...
Estivemos no feriado de 06 de
agosto, onde comemoram a independência da Bolívia, a festa foi muito grande e
começou um dia antes, Sucre contou com a visita ilustre do presidente Evo
Morales...
Resolvemos visitar “As 7 cascatas” no dia do feriado, as
ruas estavam cheias de pessoas para o desfile, muitas ruas estavam fechadas e
tivermos que sair perguntando onde tomar o ônibus linha Q, que aqui se
pronuncia “cú”, foi muito engraçado, parei um policial e perguntei: “Onde posso
tomar a linha cú hoje” kkkkkkk.
Chegamos nas 7 cascatas e descobrimos que é um poçinho,
mas como já estávamos lá, descemos e curtimos um pouco o visu...
Aproveitamos bem a cidade de Sucre,
fomos ao cinema (assistimos ao segundo filme do Wolverine que foi uma decepção
total), comemos pizza boa (porque a do Chile é uma .....), passeamos bastante
na praça, encontramos bons restaurantes vegetarianos, enfim, valeu muito a pena
os dias que estivemos ali...
A viagem para La Paz foi tranqüila,
recebemos uma recomendação de uma “gringa” que conhecemos no terminal
rodoviário e escolhemos a empresa “Trans Copacabana”. O ônibus era Show de
bola, valeu a pena pagar mais caro, a única coisa ruim é que queria usar o
banheiro estava trancado, me disseram que abririam na estrada... Estava super
quente e eu com uma calça térmica por baixo... quase duas horas depois de
sairmos, desci para ir ao banheiro e ainda estava trancado, ai me estressei e
bati na cabine do motorista, saiu um garoto que me disse que logo abriria o
banheiro, fiquei uma onça, disse que estava precisando naquele momento, ele
fechou a cara e pegou a chave para abrir... O ônibus das empresa Bolivar também era muito bom.
Chegamos em La Paz e tomamos um taxi direto para o Hotel (dessa vez já havia reservado
pela internet), tomamos um belo café da manhã e fomos bater perna no centro da
cidade, especular as agências de turismo e verificar os preços dos
artesanatos., estávamos crentes que La Paz seria mais barato, mas no centro da
cidade algumas coisas estavam mais caras que Sucre e muitas coisas o mesmo
preço
Caminhando pela cidade encontramos o centro cultural
Vrinda, entramos e resolvemos almoçar, fomos recebidos por Padma, uma devota
super gente boa que nos recebeu muito bem, falamos que éramos de Brasil e de
uma finca, ela nos serviu o almoço e conversamos um pouco, ficamos de voltar
outro dia para participar de um Kirtan.
À noite no hotel, havia ume outro atendente recepcionista,
super gente fina e me deu muitas dicas, acabei fechando o passeio para
Chacaltaya e Tiwanaco no hotel mesmo, já que os preços são iguais em todas as
agências, sai mais barato somente se você fecha muitos ao mesmo tempo.
Tiwanaku (também grafado Tiahuanaco, Tiahuanacu e
Tihunaco) é um importante sítio arqueológico pré-colombiano. Estudiosos das
culturas andinas classificam esta civilização como os mais importantes
precursores do império Inca, florescendo como a capital administrativa e
ritualística de um grande poder regional por mais de cinco séculos.
As ruínas da cidade estado ancestral se localizam próximo
à margem sudeste do lago Titicaca, no departamento La Paz, município Tiwanaku,
cerca de 72 km oeste de La Paz.
A cidade cobriu uma extensão máxima de seis quilômetros
quadrados e teve no apogeu estimados quarenta mil habitantes. Seu estilo de
cerâmica sem igual é encontrado numa vasta área que cobre a moderna Bolívia,
Peru, o norte do Chile e a Argentina. No entanto, é difícil dizer se a presença
desta cerâmica atesta o poder político desta civilização sobre esta área ou
somente atesta sua influência cultural/comercial.
É considerada também uma cultura precursora das grandes
construções megalíticas da América do Sul, cortando, entalhando ou esculpindo
pedras pesando até cem toneladas, encaixando-as umas às outras com uma precisão
e engenhosidade raramente encontradas mesmo na posterior arquitetura inca
Alguns especulam que o nome moderno "Tiwanaku"
é relacionado ao termo Aymara taypiqala, que significa "pedra no
meio", em alusão a crença de que ficaria no centro do mundo. Entretanto, o
nome pelo qual Tiwanaku era conhecida pelos seus habitantes se perdeu, uma vez
que esse povo não deixou linguagem escrita.
No dia seguinte, esperamos na recepção do hotel o ônibus
da agência nos pegar, às 09hs chegaram.
O trânsito estava um caos, um verdadeiro horror, buzina
em todas as partes, carros misturados com motos, ônibus, vans e caminhões,
pedestres no meio da rua tentando atravessar...
Seguimos mais ou menos 40 minutos de trânsito caótico e
em um mar de sujeira... Depois a tensão melhorou e começaram a aparecer
vilazinhas bem simpáticas no caminho. Chegamos em Tiwanaku quase 11hs da manhã,
descemos no museu de Pedra, logo uns nativos nos abordaram vendendo estatuetas
e réplicas, e me ofereceram um monólito por 1 boliviano, comprei na hora, dois
e uma Lhama por 5 bolivianos, confesso que depois fiquei até com remorso de tão
barato que paguei no trabalho dessas pessoas...
Uma parte do museu
estava em reforma e pudemos ver somente um monólito gigante que se encontrava
em sala escura, ali escutamos algumas explicações e seguimos ao museu de
cerâmica, onde estava repleto de peças encontradas em escavações, como vasos,
peças de metal, de carpintaria, havia até uma múmia e um crânio alongado
através de uma cirurgia que retiram uma parte da calota craniana, muito
interessante, tivemos um apagão uns 5 minutos nesse tour, mas logo retornou...
Seguimos direto para as ruínas, o primeiro local que
visitamos foi um templo onde vimos o cemitério, ouvimos algumas explicações e
seguimos para o portal do sol, e dois monólitos que estavam ali...
Subimos as ruínas
da pirâmide e descemos para o templo subterrâneo que tem a melhor vista do
sítio arqueológico. Todo o percorrido durou menos de 40 minutos, o guia foi
super rápido, caminhava rápido e quase não tinha ar para acompanhá-lo, quando
chegávamos no local em que ele iniciava a explicação, ele já havia começado,
mesmo faltando 6 ou 7 pessoas do grupo... Fiquei meio irritada com isso mas não
falei nada, não havia tempo nem para tirar fotos.
Depois do templo subterrâneo, ele chamou a todos para ir
ao restaurante almoçar, preferimos ficar nas ruínas e aproveitar o tempo ali.
Sentamos para comer em frente ao portal principal, foi maravilhoso,
pudemos sentir a energia do local e não havia nenhum turista... As fotos
ficaram perfeitas!!!
Caminhamos com calma pelas ruínas e voltamos para o local
onde vendem artesanato, o preço estava bem melhor que na cidade, então já
compramos bastantes coisas, novamente abaixaram o preço bastante e ficamos com
remorso, porque em todas as tendas que passávamos as mulheres nos chamavam,
venham compre de mim... Compramos um pouco em cada tenda.
Logo que saímos dali, seguimos para outra parte do sítio
arqueológico ali se encontrava outra pirâmide que foi destruída por uma
inundação do lago Titicaca, que segundo os arqueólogos teria suas margens muito
próximas daquela região. Terminado o passeio fizemos o caminho de volta à La
Paz, com o trânsito ainda mais caótico que pela manhã...
Paramos em um mirador para fotos da cidade e descemos no
centro
No dia seguinte seguimos para
Chacaltaya que é um pico da Cordilheira dos Andes de 5 421 m de altitude. Está
a cerca de 30 km da cidade de La Paz e muito próximo a Huayna Potosí. O acesso
à estação é por uma estrada estreita e bem íngreme. Nesse pico está a estação de esqui de maior
altitude no mundo, a 5 395 m em relação ao nível do mar.Atualmente, esta
estação está desativada devido às mudanças climáticas.
Levantamos para tomar café e nos preparamos para nosso
passeio, às 08:45 chegou Érica, a guia que iria nos guiar pela montanha,
pegamos mais um grupo na agência que eram de brasileiros, um deles sentou do
meu lado, Rafael, muito gente boa...
Paramos em uma “vendinha” para comprarem lanche, pois
hoje não teríamos almoço hoje, aproveitei e comprei o comprimido para altitude
também, tomamos em seguida...
Seguimos na mesma rua e começamos a subir, foi quando
Érica nos disse que seguiríamos em um caminho difícil, mas que o motorista era
muito bom e tinha muito tempo de experiência naquele caminho... Quando ela
disse isso, olhei para o lado e já estávamos altos e a estrada era suficiente
para apenas um carro e nem uma bicicleta a mais, eu já comecei a entrar em
desespero... Logo o caminho melhorou, seguimos somente uns 10 minutos paralelos
à ribanceira, entramos em uma estrada dentro da montanha e paramos para fazer
fotos em um mirador onde visualizamos as montanhas Chacaltaya, Hwana Potosi e
outra que não me recordo o nome J,
Seguimos em frente e o precipício voltou a fazer parte de
nossa rota, só que agora muito mais alto e a estrada bem mais curta... não
preciso nem dizer que tive um “Piriri” minhas mãos começaram a suar e o medo
tomou conta de mim, Rafael que estava ao meu lado e também não gosta de altura
me ajudou a me distrair um pouco... começamos a conversar e ele que estava ao
lado do buraco, virou a cabeça para não ver... chegou um ponto que a conversa
já não estava mais surtindo efeito e a cantar o Mahamantra, fechei os olhos e
dá-lhe “Hari Krishna”...
Chegamos inteiros na mais alta estação de esqui do mundo,
que atualmente está desativada devido ao efeito estufa, que provocou uma queda
considerável nas nevascas da região. Descemos da van e Érica recolheu o
dinheiro da entrada, 15 bolivianos, seguimos ao banheiro (se é que se pode
chamar de banheiro) mais sujo que vi em toda viagem, e antes de começar a subir
ela nos deu algumas explicações, disse que estávamos ali para desfrutar e não
sofrer, que devido à altitude, poderíamos nos sentir mal e iríamos nos cansar
muito facilmente já que estávamos 5300
metros de altitude e iríamos alcançar 5421 no topo da montanha.
Começamos a subir o trajeto que duraria de 40 minutos a 1
hora, o percurso é curto mais ou menos 700 m ... eu claro corri na frente, Ricardo ficou logo
atrás, haviam dois rapazes que depois dispararam na frente, pareciam que
estavam fazendo maratona, seguiram pelo caminho errado e ainda tive que dizer
que estavam errados e voltaram... os primeiros 50 metros foram os mais
difíceis, a subida é mais inclinada e comecei a sentir o cansaço, mas como
estava bem lenta deu para tirar de letra, coloquei mais umas folhinhas de coca
na boca e tudo bem...
Depois de uns 15 minutos e olhei para trás e vi que
Ricardo estava muito distante, percebi que estava rápida e parei, ele estava um
pouco cansando e sentia frio e falta de ar, mas descansou um pouco e
melhorou...
A chegada no topo
da montanha foi incrível, ter uma visão em 360° naquela altitude é indescritível,
todos sentiam frio e eu sentia calor, todos tinham luvas e as mãos congeladas e
eu sem luvas e com as mãos quentes... a adrenalina foi muita, a emoção de
chegar ao cume de uma montanha foi demais, e detalhe sem esforço (já que
subimos de van), a caminhadinha que fizemos foi “fichinha”.
Ficamos um tempo ali dividindo o pouco espaço que tinha
com “milhares” de turistas e tiramos muitas fotos legais, depois seguimos a outro
mirador um pouco mais baixo que esse, que nos deu a visão de uma lagoa incrivelmente
linda...
bom, dali
visualizamos muitas lagoas e de diversas cores diferentes, uma mais linda que a
outra, havia duas vermelhas como a lagoa colorada em Uyuni...
O nosso grupo foi um espetáculo a parte, todos muitos
animados (claro que os brasileiros dominaram e foram os mais divertidos J), muito diferente do grupo de Tiwanaco que nem
conversam... Rafael fazia piadinhas o tempo todo e nós quase morríamos de
rir...
Chegamos na van às 12:30 e partimos para a descida do
penhasco... eu, claro, estava morrendo de medo, mas confesso que a adrenalina
estava a mil, então amenizou um pouco os “nervos”.
Descemos conversando e rindo, Rafael nos contou muitas
coisas sofre as manifestações que estão acontecendo no Brasil e falamos
bastante sobre política e sustentabilidade, “papo nota 10”, enquanto
conversávamos pensei: “Essa pista deveria ter um controle de subida e descida,
pois é impossível passar dois carros”, bom, já estava me sentindo mais seguira,
já que o motorista realmente mandava muito bem, mas de repente nos deparamos
com uma retro escavadeira, todos fixaram os olhos e com certeza pensaram “E
agora??”
O motorista começou a dar ré e eu já queria sair da vam
hehehe, até que encontrou um espaço maior e manobrou a van, deixando-a na
última pedrinha da pista e deu passagem para a retro-escavadeira...
Todos vivos, seguimos nosso caminho em direção ao Valle
de La Luna, para chegar lá, entramos na zona sul de La Paz, que é bem mais
limpinha e bonitinha que o restante da cidade, chegamos na entrada do parque e
pagamos nosso boleto, eu estava esperando um local bem “simplão” porque ouvi
muitos relatos que não valia a pena entrar no Valle, mas me surpreendi, a o
local é muito bacana e muito lindo... claro que quem acaba de chegar de um
lugar como “Chacaltaya” se for comparar perde feio...
Fizemos uma caminhada de 40 minutos em uma trilha dentro
das formações rochosas, e foi uma sensação muito legal, parecia que estávamos
realmente em outro planeta... o parque é grande e há outros setores e trilhas a
percorrer, mas como estávamos com guia, tivemos que voltar...
Despedimos-nos do grupo na parada final, e claro troquei
contato com Rafael, espero ainda “fofocar” bastante com ele no futuro, pq o
cara é “muy buena onda”.
O dia seguinte foi para bater perna em La Paz e fazer
umas comprinhas, e no outro seguimos para Coroico onde passamos uma semana na
Finca Hare Krishna.
No dia de nossa viagem à Coroico, ao fazer o check-out,
pedimos um taxi e fomos informados que esta acontecendo uma manifestação perto
da rodoviária onde há ônibus que saem para Coróico e que teríamos que caminhar
umas 4 quadras até o terminal... desistimos do taxi e deixamos nossa bagagem
hotel, ficamos um pouco na recepção vendo internet e depois saímos para almoçar,
três horas depois, chegamos no hotel e pedimos o taxi, logo o taxi chegou e
seguimos ao terminal, o motorista é bem bacana e conversamos muito com ele,
quando estávamos chegando perto do terminal o bloqueio não nos deixou passar,
descemos nossas mochilas e vi a pequena subida que nos esperava, quase morri do
coração, colocamos nossas mochilas nas costas e seguimos... 2 minutos depois
apareceu um taxi que estava dentro da rua fechada, ele nos levou até o
terminal.
Ao chegarmos no terminal tivemos uma outra surpresa: as
vans não estavam indo para Coróico, o terminal estava interditado pelos
manifestantes de “La Cumbre” que reivindicavam água potável para sua
comunidade...
Quase tive um infarto, mas deixamos nossas malas ali e
ficamos esperando a negociação, o terminal estava lotado, pessoas por todo
lado, no chão, malas, um verdadeiro caos, estava o maior calor.
Eu sai e comecei a
ver o que se passava, se havia alguém que conseguiu comprar bilhete, caminhei e
encontrei um quartel da Polícia, perguntei ao guarda que estava do lado de fora
e ele me disse que achava que logo iria se regularizar porque uma comissão
havia entrado para falar com o ministro, continuei caminhando e ao lado do
terminal havia uma concentração maior de pessoas, e a polícia estava dentro de uma quadra cercada
e os manifestantes do lado de fora, foi a primeira vez que vi policiais perto
dos manifestantes, pois aqui não há represaria como no Brasil, e os manifestos
me pareceram que foram respeitados pelas autoridades, ninguém ousava furar o
bloqueio...
Voltei para onde
Ricardo estava e entrei em uma casinha que vende passagem para Coróico, logo
que entrei várias pessoas entram e disseram que os bloqueios haviam terminado,
tentei comprar uma passagem, mas acabei descobrindo que ali não estava vendendo
para Coróico, sai e Ricardo me disse que uma mulher de preto havia acabado de
anunciar passagens para Coróico, fui correndo e haviam 3 lugares e ela estava
negociando o troco com um rapaz, entreguei o dinheiro trocado para ela e
consegui comprar as passagens, logo já levamos nossas mochilas para colocar no
bagageiro superior da van, e entramos para esperar sair.
Saímos às 15:40,
duas horas e meia depois de chegar no terminal, tivemos muita sorte porque
haviam pessoas que estavam esperando desde cedo... subimos uma rua ainda em La
Paz e logo saímos no asfalto, ao lado avistamos uma represa que produziu uma
paisagem muito bonita com as montanhas ao fundo... seguimos subindo e foram
aparecendo pequenos braços da represa, logo apareceu um pouco de gelo na pista
e nas montanhas ao lado, estávamos a mais de 4300 metros de altitude quando
começamos uma descida (que só terminou em Coróico), reconheci dos vídeos que vi
na internet como o início da descida de bike, a natureza em volta era incrível,
montanhas nevadas e precipícios, mais ou menos 30 minutos depois passamos por
um pequeno povoado na estrada e vimos a entrada da estrada da morte, a paisagem
agora estava cheia de montanhas verdes, cobertas de vegetação. Continuamos a
descer, e descer, e descer mais um pouco, a descida era interminável, parecia
que estávamos descendo a serra do mar, a vegetação era super parecida...
avistamos a estrada da morte do lado direito da pista e confesso que a danada
realmente é bem assustadora...
Chegamos em Coroico já escurecendo e negociamos um taxi
para a Finca, chegando lá fomos recebidos por Raga, Kumari e sua filhinha
Radha, um casal super simpático que nos recebeu muito bem, nos acomodamos e
capotamos...
A energia que emana a cidade de Coróico é
incrível, parecia que estávamos sendo abastecidos pela diretamente pela mãe
terra, aqui pudemos reviver um pouquinho do Brasil, já que a mata é muito
similar à mata Atlântica... Pela manhã voltamos à escutar o barulho dos
pássaros cantando, sentir o cheiro de terra úmida e o olor da mata...
Estar com Kumari e Raga
foi uma experiência à parte, eles têm uma bela família, e uma linda garotinha
chamada Giride 1 ano e meio, aprendemos um pouco com eles sobre como educar uma
criança para conviver com os princípios do Vaisnava e respeitar os animais. Havia também na finca um casal de mochileiros muito simpáticos, que estavam viajando com o filho, fez o clima ficar ainda mais gostoso...
Meu violão finalmente
ganhou cordas novas (muito difícil encontrar), depois de quase 2 meses sem
tocar, tivemos nosso momento espiritual e louvamos muito à Krishna. Aprendemos
muito da filosofia com Raga também...
Aproveitamos para
visitar a pequena cidade de Coroico e a Cascata San Felix
A semana passou muito
rápido e logo era hora de partir para nossa nova aventura, agora mais radical
e cansativa, iremos seguir a Trilha Inca
“El Choro” de 4 dias e 3 noites, percorreremos 72km iniciando à 4800 metros de
altura, passando pelo altiplano e terminando na “mata Atlântica” Boliviana, em
breve postaremos o relato completo e dicas de como fazer a trilha sem guia, já
que faremos sozinhos!!!
HARIBOL!!!
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